Quando alguém fora de São Paulo ouve falar de Limeira, é bem provável que a primeira associação seja com joias. Não é força de expressão: a Lei Federal nº 13.610, sancionada em 10 de janeiro de 2018 após três anos de tramitação no Congresso, deu à cidade o título oficial de Capital Nacional da Joia Folheada, reconhecendo em lei o que o setor já vivia na prática havia décadas.
Hoje, segundo a Prefeitura de Limeira, o município é o segundo maior polo produtivo de joias folheadas do mundo, atrás apenas de Yiwu, na China. É esse polo que sustenta boa parte da economia local e que faz milhares de compradores, de lojistas a revendedoras autônomas, viajarem até a cidade todos os meses.
De cidade agrícola a polo industrial
A relação de Limeira com o trabalho em metais é antiga. Os primeiros ourives se instalaram na região ainda no século XIX, quando a cidade vivia principalmente da produção de café. A virada para a joia folheada em escala industrial, porém, é mais recente: começou no início dos anos 1980, quando Limeira, até então uma economia agrícola, passou a diversificar sua base produtiva.
Pequenas oficinas foram crescendo, atraindo fornecedores de insumos, prestadores de serviço de galvanoplastia (o banho metálico que dá às peças o acabamento dourado ou prateado) e distribuidores. Quatro décadas depois, esse encadeamento produtivo é o que permite a Limeira concentrar praticamente toda a cadeia da joia folheada em um raio de poucos quilômetros, da peça bruta ao produto embalado para revenda.
Os números por trás do título
As estimativas variam um pouco conforme a fonte e o recorte usado (só o setor de folheados, ou o mercado de joias como um todo), mas todas apontam para a mesma escala:
- A Prefeitura de Limeira fala em aproximadamente 3.640 empresas ligadas à joia folheada, responsáveis por cerca de 20 mil empregos diretos na cidade.
- A Agência Sebrae de Notícias cita algo próximo de 2.700 empresas voltadas ao mercado de joias na região, mantendo a mesma casa dos 20 mil empregos.
- Diferentes fontes do setor estimam que entre 60% e 70% da produção nacional de joias folheadas saem de Limeira.
Na prática, isso significa que quase toda joia folheada vendida em uma loja popular, banca de rua ou perfil de revenda no Brasil passou, em algum momento da cadeia, por uma fábrica ou oficina limeirense.
A Avenida Costa e Silva e a estrutura do polo
Boa parte dessa produção é comercializada num único endereço: a Avenida Costa e Silva, apontada pela Prefeitura como o maior shopping a céu aberto de joias folheadas do Brasil. É lá que se concentram atacadistas, fábricas com loja própria e representantes que atendem tanto o comprador que vem para revender quanto o consumidor final em busca de uma peça específica.
Ao redor dessa avenida, e espalhada pelo restante da cidade, funciona a estrutura de apoio que sustenta o polo: fornecedores de metais e insumos, serviços de galvanoplastia terceirizados, embalagens, logística para envio a outros estados e, mais recentemente, uma cadeia inteira de fotografia de produto e gestão de vendas online voltada para quem revende semijoias pela internet.
Um polo com alcance internacional
A produção de Limeira não fica só no Brasil. Segundo a Prefeitura, além de abastecer o mercado nacional, o polo exporta para países da América Latina, além de Alemanha e Estados Unidos. É um dado importante para entender por que o título de "capital nacional" às vezes soa pequeno perto do peso real que a cidade tem no mercado internacional de joias folheadas.
Os eventos que movimentam o setor
O calendário do setor tem dois pontos altos bem diferentes entre si. Do lado nacional, a FENINJER (Feira Nacional da Indústria de Joias, Relógios e Afins) é considerada a maior feira de joias da América Latina, reunindo mais de cem expositores; hoje ela acontece em São Paulo, no Transamerica Expo Center, e reúne fabricantes de todo o país, incluindo boa parte das empresas limeirenses, que participam como expositoras.
Já dentro da própria cidade, o evento de maior visibilidade é o Festival de Semijoias, organizado pela ACIL (Associação Comercial e Industrial de Limeira). Segundo a associação, a edição mais recente estimou faturamento em torno de R$ 8 milhões e público de mais de 20 mil pessoas, reforçando Limeira como destino de compra, e não só de produção.
Por que isso importa para quem vem comprar
Entender essa história ajuda a explicar algo prático: por que faz sentido viajar até Limeira em vez de comprar de um fornecedor qualquer pela internet. Com milhares de empresas concentradas numa área pequena, o comprador consegue comparar preço, qualidade de banho e variedade de coleção pessoalmente, no mesmo dia, algo praticamente impossível em qualquer outra cidade do país. É esse acesso direto à origem da produção que o Capital da Joia existe para facilitar, conectando quem vem comprar às empresas que realmente fabricam em Limeira.
Fontes:





